29 de jul de 2014

Resenha: O Mundo de Beakman

      
Fala meus queridos marujos, como vocês estão? Espero que bem ou, na medida do possível, que estejam olhando o lado bom da vida! Afinal, sempre há um lado bom! Mas, deixando essa parte de autoajuda de lado, vocês já ouviram falar de O Mundo de Beakman? Bom, se você que esta aqui no FL Play, lendo essas linhas, for uma pessoa nascida na década de noventa, ou gerações anteriores a essa, com certeza deve se lembrar dessa serie marcante que, de uma modo divertido, procurou ensinar ciência para várias crianças, adolescentes, plantas, pedras e dinossauros pelo mundo! Isso gerou uma onda de experimentos e explosões pelo mundo. Pensa bem, o que acontece quando se ensina ciências para crianças kamikases? Isso mesmo, só pode dar merda! Hahah
            Mas, passemos agora a dados sérios sobre a série: O Mundo de Beakman - ou Beakman's World, titulo original - foi um programa de televisão educativo estrelado pelo ator americano Paul Zaloom no papel do Professor Beakman.  O Professor Beakman era acompanhado pelo seu rato de laborátorio Lester (Mark Ritts) e de assistentes como Rosie (Alana Ubach), Liza (Eliza Schneider) e Phoebe (Senta Moses), que mudaram ao longo da série, e por vezes alguns apresentados pelo próprio Beakman, como Art Burns, Meekman (o irmão de Beakman), O Homem Equilíbrio, Vlavaav, e o Professor Chatoff.
            A série foi transmitida no Brasil pela TV Cultura entre 1994 e 2005, com uma breve passagem pela Rede Record, no programa Agente G, em 1997. Também foi exibido pelo canal Cl@se de 2000 a 2005 e em 2006 pelo canal a cabo Boomerang. A TV Cultura voltou a exibir o programa dentro do bloco Sessão da Hora, no primeiro semestre de 2011. Os episódios estão disponíveis atualmente pelo serviço Pago de TV por Internet Netflix.
            No programa original de Beakman, eram lidas cartas de telespectadores reais, dos EUA, porém com a tradução para português e exibição no Brasil foi utilizado nomes fictícios, o que era o gancho para a realização de experiências (que ensinava como reproduzi-las em casa) e a abordagem divertida de conceitos científicos. Ocasionalmente interpretava cientistas já falecidos, como Albert Einstein, Isaac Newton, Bernoulli, Alexander Graham Bell, Charles Darwin e Benjamin Franklin.


O que é e como surgiu o Beakman's World - O Mundo de Beakman
            
A década de 1990 foi palco de um dos programas mais eficientes no ato de ensinar divertindo, O Mundo de Beakman, que usava uma linguagem direta, com os apresentadores conversando com o telespectador, para mostrar noções de ciências, química, física, astrologia e por aí vai.
        O programa, produzido pela Columbia Pictures, foi baseado na tira em quadrinhos “You Can With Beakman e Jax”, criada por Jok Church, e publicada em vários jornais, dos Estados Unidos e de outros países, mais de 250 ao redor do mundo. Os personagens dos quadrinhos são Beakman, um cientista que explica como as coisas funcionam, e sua igualmente inteligente irmã gêmea, Jax. O programa, no entanto, mostra apenas Beakman porque os produtores acreditavam que dois protagonistas tornariam o programa confuso.
       Beakman era um cientista meio maluco que dedicava o seu tempo em responder as perguntas dos seus telespectadores. Com um corte de cabelo superfashion e seu guarda-verde fluorescente, ele se mostrava um grande conhecedor de todas as ciências, embora falasse que não sabia de tudo, apenas sabia como conseguir as respostas. Ele tinha um jargão estranho “Badabin Badaben Badabun!" e de vez em quando desaparecia para transformar-se em personalidades antigas como Newton, Einstein, ou ainda o super herói Homem-Equilíbrio. O maior problema de Beakman era Lester, um "ator desempregado", que tinha sido contratado para ajudá-lo no laboratório, e que para isso, teve de vestir uma roupa de rato e fazer o que menos gostava: trabalhar. Lester era constantemente "humilhado" pelos outros personagens, sobretudo por Beakman, quando o desafiava. Apesar de seus puns, Lester jurava que tomava banho: "Eu não tomo banho anualmente. Eu tomo um banho por ano!". Dizia ele.

Por trás das câmeras

         Uma vez que a câmera encontrava-se ligada muitas coisas engraçadas aconteciam nos bastidores de O Mundo de Beakman. Creio que isso não deve ser novidade para ninguém, certo? O ator Paul Zaloom, por exemplo, teve de enfrentar seu medo de cobras em um dos episódios da serie. No episodio em questão uma jiboia enrolada ao redor de Lester olhava para a câmera quando, subitamente, virou-se para Zaloom. “Eu não aguentei. Gritei e saí correndo como uma menina assustada”. Disse o ator. O mesmo susto aconteceu com um crocodilo que, apesar de manso, um dia resolver ensaiar uma mordida perto dele.
         Mas, apesar da bagunça o programa possui uma regra: “Nunca podem parar. Se errarem, continuem. Só parem quando o diretor gritar ‘Corta!’”. O que indica uma única coisa meus queridos leitores: muitas das cenas que vemos em O Mundo de Beakman não foram planejadas, ou ao menos ensaiadas. São improvisações e erros que, simplesmente, foram para o ar! Isso ajudou e muito para a naturalidade do programa, tornando-o mais orgânico e simples. Talvez esteja, ai, o segredo do sucesso. Muita coisa acontecia de errado e os atores prosseguiam com a cena. Alguns desses erros entraram no programa, tornando-o ainda mais engraçado.
        O rato de laboratório Lester, a princípio, era para ser apenas um fantoche, mas a ideia foi logo descartada. Mark Ritss, o intérprete de Lester, pensou, então, em se vestir de rato e deu certo. “Eu amava o Mark. Ele era incrivelmente talentoso. Ele elevou o nível do programa por causa de seu talento”, contou Zaloom. Mark Ritts faleceu, vítima de câncer em 2009 e Zaloom cuidou do amigo em seus últimos seis meses de vida. “Eu estava lá enquanto ele piorando. E foi uma experiência incrível”, disse com lágrimas nos olhos. Mas logo em seguida, para mudar o clima, soltou “Ele disse duas coisas para mim. ‘O câncer é um saco’. E, em outro momento, quando estava piorando ele virou pra mim e disse ‘Ah, a vida é boa!’”.
         Foram gravados 91 episódios de O Mundo de Beakman, o suficiente para mantê-lo no ar por mais temporadas, mas Zaloom revelou que o programa não dava muito lucro e que só estava no ar por causa da lei de cotas. “Hoje em dia, os programas infantis são baseados em produtos. Vendem-se canecas do Bob Esponja. Tudo se baseia nisso: merchandising


Porque o programa acabou?
         Para entender isso é preciso, primeiro, recordar como foi possível tornar O Mundo de Beakman um programa de TV. Em entrevista ao site Com.Ciência o produtor do programa Jok Church disse que: "Isso ocorreu [em 1992] quando a Universal Press Syndicate, que distribuia e editava meus quadrinhos, fez uma parceria com a Universal Belo Corporation e a distribuidora Columbia Picture's Television que estavam interessados em transformar O mundo de Beakman em um programa de televisão. Pediram-me para escrever um piloto, o filmamos e o levamos para a National Association of Television Program Executives (NATPE) porque eles retransmitem para estações de televisão individuais. Nós iniciamos [o programa] em uma época em que surgiu uma lei que exigia que as redes de comunicação exibissem conteúdo educativo para crianças. Então, conseguimos vender o programa para cerca de 90% do mercado televisivo dos Estados Unidos mesmo antes dele estar pronto, apenas baseado em uma amostra de vídeo com duração de 15 minutos. Foram 96 programas no total, com 30 minutos de duração."
        O produtor, também, explica o porque o show teve de trocar as assistentes três vezes: "É importante mencionar que O mundo de Beakman é uma das produções de televisão com o mais baixo orçamento. Isso porque as pessoas [da equipe] concordaram em trabalhar pela metade [do salário] que normalmente receberiam, porque se tratava de um programa educativo e porque elas gostavam de fazê-lo. Mas depois de um ano de exposição nas redes de televisão, as pessoas recebiam ofertas de empregos melhores e deixavam o programa."
         E, por fim, as razões do termino da serie em 1998 após sua quarta temporada: "No primeiro ano, nós nos unimos para vender o programa para as estações de TV. Então, a CBS, [uma das maiores redes de televisão dos EUA] se interessou por ele e achamos que seria muito bom para o programa aparecer em uma rede nacional grande. Mas, em primeiro lugar, não foi bom para o programa porque a CBS não gostava dele. Eles apenas o colocavam no ar porque eram obirgados, por lei, ter um programa com conteúdo educativo. Isso significa que todas as nossas expectativas de que eles promoveriam o programa, não foram atingidas. Nunca houve sequer um anúncio para promover O mundo de Beakman, o que acabou inviabilizando o programa. Acho um milagre que tenhamos feito 96 programas. O programa não dava lucros e para investir, as pessoas precisavam saber os lucros seriam proporcionais aos investimentos realizados pela corporação. Por isso hesita-se em investir em uma nova produção. O programa tinha uma boa audiência, boa avaliação, as pessoas o adoravam, mas não trouxe dinheiro para aqueles que o fizeram. Eu não fiquei rico. As pessoas precisam entender que eu sou o autor de um programa de televisão de sucesso mas eu moro em uma casa alugada [...] Eu acho que as pessoas estão prontas. Só não acho que as pessoas que o transmitem na televisão estejam prontas. Creio que elas vejam o aprendizado e a aquisição de conhecimento como sendo opostos à diversão. Eu não acho que seja, mas penso que isso possa estar relacionado com o fato da cultura de programação televisiva não priorizar as crianças, que eram nosso público. O programa era visto [pelas redes de TV] como um remédio ruim que precisavam tomar, porque o governo disse que eles precisavam. Existem pessoas que respeito enormemente, como Steven Spielberg, Norman Leer e produtores que nos disseram que [O mundo de Beakman] era a melhor coisa que havia na televisão. Mas as redes de TV não o viam como uma oportunidade, mas sim como um problema, como algo que eles deviam fazer para não ter problemas com o governo. É uma pena! Levei 10 anos para conseguir o dinheiro para fazer o programa e foi terrível ver que ser fabuloso não foi suficiente."

Curiosidades


1. Vamos começar com uma previsível, mas que pode decepcionar muita gente: Paul Zaloom não é um cientista de verdade. Ele estudou na escola preparatória “Choate School”, em Connecticut, e começou sua carreira artística no Goddard College, em Vermont.
2. Zaloom contou que a inspiração para o programa veio de uma tirinha de quadrinhos escrita por Jok Church. Na história de “You Can With Beakman and Jax”, dois personagens respondem a questões sobre ciência, tecnologia e história “enviadas” por leitores. Bem parecido com o programa que foi ao ar.
3. Falando nisso, enquanto o programa estava no ar, o show recebia mais de 1000 cartas por semana. Elas vinham de crianças, adultos e professores dos Estados Unidos, Canadá e até da Suécia.
4. A ideia para o show não foi de Zaloom, mas ele diz que foi o único “louco” que aceitou participar do projeto. “Ajudei a criar o show sabendo que não ia ficar rico ou ganhar créditos por isso”, contou.
5. Apesar de ser um programa com proposta educativa, muitos professores não gostavam de “O Mundo de Beakman” por considerar vulgares os temas tratados. “Mas crianças são fascinadas por peidos, soluços, xixi…por que não falar sobre isso de forma científica?”, questionou Zaloom durante a palestra.
6. Ele também explicou que o programa era todo pensado para estimular a participação das crianças. “Queríamos que elas fizessem as experiências em casa. Quanto mais próximas elas estiverem da ciência, mais aprendem”, disse Zaloom. Além disso, o show procurava formas de manter a atenção do público infantil. As duas câmeras usadas na gravação ficavam fixas e o que se moviam eram os personagens no set. Outra coisa impressionante é a quantidade de efeitos sonoros usados: são mais de 5 mil em cada meia hora de episódio.
7. Segundo Zaloom, o programa só teve espaço na TV por obra do governo americano: em 1991, um ano antes do show estrear, todos os canais de televisão foram obrigados a incluir uma programação educativa infantil para poder renovar suas licenças de funcionamento. “Os canais estavam infelizes. Eles preferiam passar “Os Flinstones” para ensinar as crianças sobre o passado e “Os Jetsons” sobre o futuro. Absurdo!”, disse.
8. Além de ator, Paul Zaloom é controlador de marionetes, cineasta, ventríloquo e satirista político (que critica desde a indústria de cigarros à prisão de Guantánamo). Aliás, ele conta que sua experiência em transformar assuntos políticos em entretenimento foi essencial para conseguir falar de ciência de uma forma engraçada como Beakman. “Você precisa entender o quão complexo algo é para saber explicá-lo de forma simples“.
9. Durante a apresentação, Zaloom falou da sua relação com Mark Ritts, o ator que interpretava o rato Lester, ajudante de laboratório de Beakman. “Além de ser muito inteligente e um excelente ator, ele era uma grande pessoa”. Ritts morreu de câncer em 2009. Em 1968, ele se formou em literatura inglesa na conceituada faculdade Harvard.
10. O programa foi exibido de 92 a 97 nos EUA. No Brasil, foi ao ar na Cultura, a partir de 94, e esporadicamente, tem reprises no canal.
11. Entre os personagens criados para o programa que Paul Zaloom interpreta além de Beakman, estão o Professor Chatoff (Professor I.M. Boring no original), o cozinheiro Art Burns, o irmão de Beakman, Meekman; O Homem Equílibrio e Vlavaav.
12. Lester era interpretado pelo ator, produtor, diretor, dublador e manipulador de marionetes Mark Ritts.
13. O programa nunca deixava claro no começo, se Lester era um rato antropomórfico ou apenas um cara vestido de camundongo. Mais a frente, vira uma piada recorrente ele ser identificado como um cara em roupa de rato, ou como um ator sério com um péssimo agente.

14 . Beakman teve três ajudantes: Josie na 1º temporada, Lisa para a 2º e 3º e finalmente Phoebe para a 4º.
15. Os nomes dos pinguins que apareciam no começo e final do programa eram Dan(Don no original) e Léo (Herb no original).
16. Lester nunca venceu um “Desafio do Beakman”.
17. O interprete de Beakman, Paul Zaloom, tem 62 anos, foi casado duas vezes e tem uma filha. Ele também é assumidamente gay.
18. Zaloom viaja o mundo, fazendo apresentações com o personagem Beakman, visitando várias vezes o Brasil.
19. Quando um experimento dava certo, ele exclamava Zaloom, que é o sobrenome do intérprete do personagem.
20. O tema de abertura da série, foi criado pelo vocalista e fundador da banda Devo, Mark Mothersbaugh. Uma sanfona é usada no riff principal da música.
21. Beakman sempre começava o programa falando uma curiosidade científica.
22. Um dos grandes trunfos do programa, era responder, perguntas ditas “idiotas”. Como se forma mofo no pão, como os humanos crescem, para quê serve o ranho, porquê não podemos ver através dos espelhos, se eles são vidro, questionamentos sobre flatulência e afins.


 
Como estão os personagens hoje?

Paul Zaloom (Beakman, Art Burns, Meekman)
 

Depois de ‘O Mundo de Beakman,  Zaloom escreveu e atuou em espetáculos solo, e também deu aula de ‘fantochada’ e arte performática em várias universidades.  Atualmente tem 59 anos, e trabalha com sátira em suas performances.



Lester (Mark Ritts)

Após fazer sucesso como Lester, Ritts foi host em um programa infantil e ainda trabalhou como co-produtor, diretor e escritor do especial “Barney, o Dinossauro”. Também participou na produção de alguns documentários culturais e no lançamento de livros sobre psicologia infantil. Faleceu no final de 2009, de câncer nos rins.


 Rosie (Alanna Ubach)
 

Participou posteriormente de filmes como Entrando numa fria e mudança de Habito 2. Atualmente é modelo e atriz e faz bicos como dubladora, especialmente em desenhos animados.




Lisa (Elisa Jane Schneider)
 

Depois disso participou de vários filmes em papéis secundários e dublou vários personagens na série South Park, dentre elas a Senhora Cartman e Wendy Testaburger. Eliza é basicamente uma atriz de teatro, com grande carreira na Broadway.


Phoebe  (Senta Moses)


 Agora é atriz de filmes independentes.

         Gostou da postagem? Sentiu vontade de ver e/ou baixar a serie? Segue os links: Ver online (YouTube) e baixar (torrent - the pirate bay). Para ler as entrevistas de Paul Zalom (Beakman)  e Jok Church (produtor da serie) é só clicar, respectivamente, aqui e aqui. Deixe seus comentários ai embaixo! Agradecemos muito sua visita, volte sempre, forte abraço!


 
By: Winchester!
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